Quem se define se limita. Se você se define incapaz, então nunca vai
conseguir superar seus obstáculos, se você se define fraco então sempre vai
viver a sombra das pessoas que você considera “forte”, se você se define feia
(o) então nunca vai conseguir aceitar um elogio verdadeiro de quem admira sua
beleza tanto externa quanto interna, e simplesmente você vai limitando todas as
possibilidades de ter uma vida sem tantas complicações que nós mesmos criamos.
Eu decidi, ou talvez não, talvez eu seja assim mesmo rsrs, que não
complico mais nada, pois a vida por si só já é bastante complicada. E durante
essa ultima semana consegui me livrar de mais uma coisa pequena que eu julgava
como importante que é ter que me encaixar em algum grupo de sexualidade.
Não me considero hétero e nem me considero lésbica. Mas calma, eu também
não me considero bissexual. E o pior de não se encaixar em nenhum desses grupos
é que, o grupo LGBT do qual não deveria haver preconceitos e sim acolher a
todas as pessoas que não possuem um sexualidade heterossuxual, julga uns aos
outros quando falamos que “a sapatão não precisa se vestir de macho, eu pego
mulher mais não gosto disso”, quando afirmamos que “relacionamento homossexual
é difícil ter fidelidade”, quando na verdade toda a sociedade anda tão
promíscua que é difícil ter fidelidade em qualquer tipo de relacionamento seja
ele hétero ou não, e quando falamos que “Sou gay, mais odeio esses viadinhos
que dão pinta demais.”.
Será que alguém já parou para analisar o que falamos? Não gostamos que a
sociedade nos julgue dessa forma, mas julgamos a nós mesmos o tempo todo.
Você lésbica, ou bissexual que não gosta de uma mulher mais Butch então
guarde seus comentário, pois existem muitas outras que gostam desse estilo, e
se sentem confortáveis assim. Não é porque ela nasceu com uma genitália
feminina que ela é obrigada a usar um vestido e ficar horas em cima de um salto
alto. Você gay que não gosta de outra gay por que ele é mais afeminado e acha
que isso ‘prejudica a imagem dos gays’, pare para analisar o que está dizendo,
pois está sendo tão preconceituoso quanto o homofóbico que diz que não tem
problemas com gays, mais que não quer eles por perto.
E com todos esses julgamentos, sempre tinha alguém pra me perguntar o que
eu sou. Camila, você é lésbica? Já cheguei a dizer que sim, até que fiquei
apaixonadinha por um homem e acabei namorando. Pronto! 1.000 pedras foram
atiradas, as pessoas me falando que eu não sabia o que eu era.
Mudei a definição para Bissexual já que para a sociedade fica mais
‘confortável’, já que percebi que os dois sexos me atraem. Mais ainda sim não
consegui me encaixar, porque não consigo me prender a ideia preconceituosa das
pessoas que dizem que os bissexuais não sabem o que querem.
E ontem a minha ficha caiu, um breve relato sobre a minha noite foi que
eu estava em um grupo de amigos da minha prima e um garoto queria ficar comigo.
Não me interessou nenhum pouco porque era uma coisa tão fria, tão sem verdade.
E no mesmo local, quando fui ao banheiro parei para conversar com um homem de
verdade, que simplesmente me encantou e chamou minha atenção totalmente
Então, o que eu sou?
Eu sou apenas mais um ser neste planeta, que conseguir superar essas
nomenclaturas e definições impostas pela sociedade para separar uns dos outros
e sei que sou uma pessoa que gosta de pessoas.
Seja homem, seja mulher, seja uma travesti, seja um transgênero, nada
disso me importa. Me apaixono pela essência,
pelo carinho, pelo toque, pela palavra, pelo olhar, pela atitude e pela
verdade.
Se a sociedade vai me definir como indecisa, que assim seja.
Eles se
limitam as nomenclaturas, eu não me limito para viver.