“Eu escrevo para nada e para ninguém. Se alguém me ler será por conta própria e auto-risco. Eu não faço literatura: eu apenas vivo ao correr do tempo.” — Clarice Lispector.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Amor-amizade
Eu e você correndo por dentro de casa, brincando de pega-pega ou esconde-esconde. Eu com pantufa de ursinho e você com pantufa de coelhinho. Eu perturbando você de todos os jeitos possíveis. Puxando seu cabelo, mordendo sua bochecha, colocando a mão gelada em você, falando da sua roupa. Nós dois dentro do armário de roupas, trancados, contando segredos. Teríamos uma mesa de de sinuca na sala e nossa cama seria um colchão no chão. Queimaríamos panelas tentando cozinhar, talvez botassemos fogo na cozinha e acabassemos pedindo pizza e comendo sentados no chão da sala enquanto jogamos video-game. Se ficassemos entediados, pegaríamos a lista telefônica e passaríamos trote em algum desconhecido ou apertaríamos a campainha do vizinho e saíriamos correndo. Você me contaria todas as partes do seu dia, quando chegasse em casa, eu ouviria enquanto brinco com as suas mãos e pediria detalhes, mesmo que não me interessasse, só pra ouvir sua voz. Iríamos ao supermercado juntos, e você ficaria deslizando com o carrinho pra cá e pra lá ao invés de fazer as compras. Eu fingiria que não te conheço, quando as pessoas olhassem torto pra você. Quando eu estivesse dirijindo, você faria caretas pra tirar minha atenção ou brincaria de bagunçar meu cabelo. Quanto estivesse calor, dormiríamos em uma rede na varanda. Brigaríamos às vezes, pra não cair na rotina. Você me xingaria de todos os palavrões que conhece e eu não conseguiria segurar o riso. Faríamos as pazes com um abraço. Quando a briga fosse pior e demorasse um pouco mais para nos reconciliarmos, eu me trancaria no quarto e ficaria mal. Mas depois você arrumaria uma desculpa pra voltar a falar comigo, e nós conversaríamos horas e horas sobre como-eu-fiquei-mal-sem-falar-com-você. E perceberíamos como somos bobos por sequer pensaremos na possibilidade de perder um ao outro. Sabe aquele meu casaco velho, que você adora? Então, ele teria o seu perfume e não o meu, porque você o usaria mais que eu. E eu nem ligaria, porque ele fica muito melhor em você do que em mim, afinal. Aliás, meu coração tá muito melhor contigo do que jamais esteve comigo ou com outro alguém. Uma hora ou outra você teria crises e diria que tem medo de que eu encontre alguém melhor, e eu passaria horas tentando te fazer entender que não existe ninguém melhor do que você, e que se existisse, eu não trocaria. Vai ser uma linda história de amor-amizade, nós dois sabemos que vai.
sábado, 9 de abril de 2011
é loucura odiar todas as rosas porque uma te espetou. entregar todos os teus sonhos porque um deles não se realizou, perder a fé em todas as orações porque em uma não foi atendido, desistir de todos os esforços porque um deles fracassou. é loucura condenar todas as amizades porque uma te traiu, descrer de todo amor porque um deles te foi infiel. é loucura jogar fora todas as chances de ser feliz porque uma tentativa não deu certo. espero que na tua caminhada não cometas estas loucuras. lembrando que sempre há uma outra chance, uma outra amizade, um outro amor, uma nova força. para todo fim um recomeço!
(Pequeno Princípe)
mulher é um bicho estranho
1. certo: esta é a palavra que nós usamos para encerrar uma discussão que estamos certas e você precisa se calar.
2. nada: significa que algo está acontecendo e que você deve ficar atento.
3. você que sabe: é um desafio, não uma permissão.
4. suspiro alto: significa que estamos pensando que você é um idiota.
5. esquece: é uma mulher dizendo foda-se!
6. deixa pra lá, eu resolvo: significa que estamos dizendo várias vezes para você fazer algo, mas agora estamos fazendo nós mesmas.
7. 5 minutos: se estamos nos arrumando, significa meia hora.
8. tudo bem: significa que estamos pensando como e quando você vai pagar sua mancada.
9. precisamos conversar: fudeu, você está a 30 segundos de levar um pé na bunda.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Conto de fadas do séc. XXI
Era uma vez, numa terra muito distante, uma linda princesa independente e cheia de auto-estima que,
enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas, se deparou com uma rã.
Então, a rã pulou para o seu colo e disse:
Então, a rã pulou para o seu colo e disse:
- Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Mas uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir um lar feliz no teu lindo castelo.
A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e viveríamos felizes para sempre...
E então, naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava:
- Nem fo...den...do!
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